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sábado, 18 de maio de 2024

Leia mulheres!

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O conto de Ellas: um corpo com hora marcada, em sua segunda edição pela Calligraphie Editora, é o primeiro livro de contos da autora Ana Bernardes

Capa do livro: Do oco ao eco: quando uma mulher escreve, outra se reescreve – Artista: Nestor Jr

Maria Firmina dos Reis, Clarice Lispector, Conceição Evaristo, Virginia Woolf, Simone de Beauvoir, Carolina Maria de Jesus, Elena Ferrante, Giovana Madalosso, Natalia Timerman, apesar de não serem contemporâneas, cada uma, em sua época, traz em sua escrita não só o prazer da leitura para quem as lê, mas a potência criativa e a resistência como forma de existência.

Neste seleto time de escritoras, podemos incluir Ana Bernardes, psicanalista, doutoranda em Patrimônio Cultural e Sociedade e mestre em Educação pela Universidade da Região de Joinville. Segundo a própria autora, ela atua como psicanalista e vincula o dispositivo clínico com a análise dos fenômenos culturais, políticos e históricos.

Escrita, escuta, memória e patrimônio, talvez, possam ser elencados como os nortes desta autora, que se joga sem paraquedas na ousadia de escrever. O conto de Ellas: um corpo com hora marcado é ousado, erótico, atrevido e de tirar o fôlego, assim como sua autora, que se despe sem pudor a cada página. Autobiográfico? Biografia de muitas mulheres? Recortes de sessões clínicas? Verdade? Ficção? Não importa. Mas ninguém sai impune dessas 54 páginas, que sê lê de uma visada só.

O que diz a psicanalista Marilene Wittitz, que assina o prefácio da obra, “O conto de Ellas: um corpo com hora marcada, é um convite para leitoras e leitores enveredarem-se pela trama de Ellas e por suas reflexões e articulações psicanalíticas. Revela uma escrita viva e nua. Ana Bernardes escreve não a partir de algo sabido, mas de um não sabido que, pelo ato de escrever, engendra um saber. Uma escrita sobre amor, sexualidade e feminilidade, uma escrita sobre a vida. Tece suas considerações sobre o corpo e o desejo feminino dando voz à Ellas e fazendo emergir a singularidade da mulher na relação com seu corpo”.

A capa é um capítulo à parte, um invólucro que contorna e adorna o desabrochar da escrita. Uma ilustração, em aquarela, assinada pelo artista plástico Nestor Jr. No interior do livro ainda é possível visualizar mais uma imagem como desdobramento da mesma ilustração.

Ana Bernardes Foto Divulgação

Ana Bernardes já está preparando uma nova obra, desta vez, como organizadora, que já tem o título escolhido: Do eco ao oco: quando uma mulher escreve, a outra se reescreve. A coletânea traz mulheres plurais, reunindo psicanalistas, psicólogas, historiadoras, professoras, artistas e pesquisadoras. A capa também será assinada pelo artista Nestor Jr.

Este movimento de escrita e de libertação, deu origem ao coletivo Mulherio Brasileiro, que tem como mote, as palavras da escritora polonesa, Wislawa Szymborska, em Filhos da época: “O que você escreve tem ressonância, o que silencia tem um eco de um jeito ou de outro político”.

Parece mesmo que a arte de mobilizar mulheres está no DNA de Ana Bernardes, que tem como terceiro projeto, já em andamento: Cartas a uma jovem terapeuta, que vai reunir 100 analistas de renome para a escritura de suas cartas.

Saiba mais:

O conto de Ellas: um corpo com hora marcada, de Ana Bernardes – www.calligraphieeditora.com.br

@gabinete_ellas

@coletaneamulheriobrasileiro

 

Patrizia Corsetto é jornalista, radialista e psicanalista e

assina semanalmente a coluna de cultura

 

 

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