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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Planta da primeira Estação de Abastecimento Hidrogênio Renovável do mundo é apresentada na USP

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A Universidade de São Paulo lançou os alicerces para a primeira Estação experimental de Abastecimento Hidrogênio Renovável do mundo a partir do etanol; o projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Shell Brasil em parceria com Raízen, Hytron, Senai Cetiqt, USP (RCGI) e Toyota vai tentar provar que o etanol pode ser vetor para hidrogênio

Na última quinta-feira, 10, a Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo foi palco do lançamento da primeira Estação experimental de Abastecimento Hidrogênio Renovável do mundo a partir do etanol. Essa nova tecnologia é o primeiro passo para uma alternativa com potencial de descarbonizar setores industriais e de transporte no Brasil.

A planta-piloto ocupará uma área de 425 metros quadrados e terá capacidade de produzir 4,5 quilos de H2 por hora, dedicada ao abastecimento de até três ônibus e um veículo leve.  O projeto de Pesquisa & Desenvolvimento tem investimento total de R$ 50 milhões da Shell Brasil, obtido com recursos da cláusula de PD&I da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Como parceiros, participam no desenvolvimento da estação a Hytron, a Raízen, o SENAI CETIQT, a Universidade de São Paulo, por meio do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI). Ainda, para testar a viabilidade desse projeto, as partes assinaram um memorando de entendimento junto com a Toyota. A previsão é de que a estação experimental esteja operando no segundo semestre de 2024.

No conjunto de equipamentos que serão instalados no local, haverá um reformador a vapor de etanol desenvolvido e fabricado pela empresa Hytron. É nesse equipamento que irá ocorrer a conversão do etanol em hidrogênio por meio de um processo químico chamado ´reforma a vapor`, que é quando o etanol, submetido a temperaturas e pressões específicas, reage com água dentro de um reator.

Uma das mentes por trás da estação é Julio Meneghini, diretor científico do RCGI (Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa) e um defensor da ideia de que  o Brasil tem potencial de liderar o mundo em relação às mudanças climáticas, “principalmente agora, com essa questão do hidrogênio a partir do etanol.” Meneghini afirma que o hidrogênio originado do etanol pode ter uma pegada negativa de emissão de gases de efeito estufa, algo que nem mesmo o hidrogênio produzido a partir de energia eólica ou energia solar pode fazer.

Uma das autoridades  presentes na cerimônia foi Daniel Maia, Diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), que vê o projeto como uma “peça chave para o desenvolvimento de estratégias viáveis para descarbonização” e “um benefício para toda a sociedade brasileira”.

“Mais viável do que a eletromobilidade”, diz Tarcísio de Freitas

Em meio a protestos de alguns universitários, o governador de São Paulo, Tarcisio de Freitas, mostrou-se orgulhoso, em suas palavras, de ver a estação de abastecimento construída em São Paulo e no principal centro de estudos do estado. “Me dá um orgulho muito grande ver que o primeiro transformador de etanol em hidrogênio do mundo está sendo feito aqui. Temos que celebrar isso porque o que o mundo está buscando nós temos em nossas mãos.”

Freitas tocou no assunto da eletromobilidade, muito debatido acerca de sua viabilidade para o país, e disse: “talvez o elétrico não seja o melhor caminho para a indústria automobilística brasileira. Olha o investimento que teríamos que ter em infraestrutura; imagine o reflexo que isso teria nos pavimentos devido ao peso de vários ônibus circulando. No entanto, temos uma alternativa que é o híbrido, e agora essa nova ideia que está sendo apresentada hoje.”

O governador deu ênfase para a logística já preparada para receber essa nova tecnologia nos postos de combustível. “É possível ter um reformador em cada posto de combustível, então não teremos problema algum em fazer esse abastecimento em qualquer lugar do Brasil. Além disso, a dificuldade de comprimir e transportar o hidrogênio não existe, porque eu vou transportar etanol. Nesse contexto, o Brasil pode ser um exportador de tecnologia e de etanol.”

Viabilidade para os postos

Para Cristiano Costa, presidente de uma das principais investidoras do projeto, a Shell Brasil, o primeiro passo dessa planta é provar a eficiência tecnológica e, posteriormente, a viabilidade comercial, até que isso se torne uma realidade no Brasil. No entanto, os próximos passos dessa transição devem levar tempo, apesar da agitação que o assunto inovação gera. Afinal, o espaço necessário para o reformador é demasiadamente grande.

Como explica o professor Meneghini, o espaço de quatro bombas de gasolina em um posto é o mesmo que uma só bomba de hidrogênio. Apesar desse fator, ele vê claramente como algo mais viável do que a eletromobilidade. “Uma empresa tentou produzir carregadores rápidos, mas a infraestrutura do Brasil não aguenta isso. Por conta disso, o investimento em linhas de transmissão nas cidades seria altíssimo e correríamos o risco de nos deparar com a crise de energia que a Europa está enfrentando”, finalizou o pesquisador.

Por: Wagner Maciel

Fotos: AZM Comunicações e

Divulgação Governo do Estado

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