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segunda-feira, 24 de junho de 2024

Coluna de Cultura – Tranquilo rouba a cena na noite paulistana

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É artista independe e está no corre da cena autoral? Gosta de música e está aberto a conhecer e escutar novos artistas? Então, este convite é para você!

Se você pensa que nada de legal acontece às segundas-feiras, em São Paulo, é porque não conhece o Tranquilo: um projeto de música que aproxima artistas e público.

Apelidado carinhosamente de “rolê da descoberta” traz uma proposta curiosa e inusitada a quem tem “ouvidos atentos e corações abertos”.

Nascido em Belo Horizonte, no quintal do músico Thales Silva, idealizador do projeto, o Tranquilo começou timidamente com 10, 20, 30 pessoas e, hoje, já conta com uma audiência que chega a 1.200 pessoas, em BH, nas noites de terça. Foi palco de Marina Sena e Lagum – na época, artistas independentes – e, recentemente, recebeu o consagrado Lô Borges.

Fernanda Bcheche,

A produtora Fernanda Bcheche foi a responsável por trazer o projeto para São Paulo e encontrou por aqui um ambiente mais do que propício. “A cidade nos acolheu e entendeu a proposta, que não é só a de oferecer música de qualidade e um espaço para que o artista independente tenha a possibilidade de mostrar seu trabalho e furar a bolha, mas sobretudo a de um projeto que traz em sua concepção um caráter educativo, desde a cobrança do ingresso ao consumo no bar. A entrada tem um valor sugerido de R$ 25,00, para quem pode pagar, e quem não tem essa quantia pode contribuir com o que puder. Ninguém é barrado, se não puder pagar. Quem tem condições financeiras melhores e pode pagar mais, acaba equilibrando a balança e permitindo que outra pessoa pague menos. O consumo de bebidas também segue o mesmo conceito e acontece na base da confiança. Você pega a sua bebida e paga o valor via pix. A alimentação é terceirizada”, conta Fernanda.

 Como participar do rolê?

Fernanda ressalta que o projeto não é secreto. “Para participar é só interagir com as enquetes que divulgamos na nossa página no instagram (@tranquilosaopaulo) e reagir com um ‘foguinho’ no story para receber o endereço com todas as coordenadas pelo DM. A mudança constante de palcos é marca registrada do projeto. Ser itinerante garante vivenciar diferentes experiências. Pensamos o lugar de acordo com a estimativa de público para aquele evento e as parcerias são firmadas com os estabelecimentos que entendem a nossa proposta, como o fato de não abrirmos mão do bar. Hoje, contamos com uma equipe remunerada e muita gente trabalha para que a cena aconteça. A comunicação é uma ferramenta estratégica essencial para conectar cada vez mais pessoas”.

Lucas Nunes e Zé Ibarra

A cena

Três artistas ocupam a cena para uma apresentação de 25 a 30 minutos cada um. Pouca iluminação, som mais baixo que o convencional, palco na mesma altura do público e próximo à plateia ajudam a criar a atmosfera intimista e a troca poética que prepara o público para o “olho no olho”, momento em que o artista chama uma pessoa da plateia para cantar para ela, desplugado.

Fernanda Bcheche explica que o evento inverte a lógica da demanda da música autoral. “O músico autoral  geralmente pede para as pessoas irem aos shows dele e aqui a gente já tem o público para assistí-lo”.

Para garantir um bom lugar, o lance é chegar cedo. Como o público assiste aos shows sentado no chão, o ideal é levar uma canga ou comprar uma na lojinha do projeto. Pessoas com mobilidade reduzida e que querem ir ao Tranquilo são bem-vindas. Cadeiras são providenciadas para este fim.

Diego Moraes

A primeira edição paulistana aconteceu em outubro de 2022, e já se apresentaram no palco do Tranquilo, artistas independes como Diego Moraes, Pedro Alterio (do grupo 5aseco), ClaraxSofia, Bebé Salvego (seu álbum de estreia foi considerado pela crítica especializada como um dos melhores álbuns de estreia lançados em 2021), Tom Maior, Abacaxepa, Pedro Viáfora, entre outros. Algumas edições ainda trazem atrações surpresas. Em junho, o projeto reuniu três artistas incríveis como Marcelo Jeneci, Izzy Gordon e Jotapê.

“A ideia, agora, é expandir o Tranquilo para outras praças, a princípio com edições mensais, seguindo com a nossa proposta de ser itinerante”, finaliza Fernanda.

Ah… e por que o nome Tranquilo? Para fazer jus ao “jeitinho mineiro” e à gíria local. Como diria um bom mineiro: “pega esse trem pra mim?”. A resposta seria: “Tranquilo”.

Veja: @tranquilosaopaulo

@tranquilobh

Ouça: Episódio disponível no Spotify @projetoentreelas

Leia: www.tranquilobh.com.br

Fotos: Luisa Savala

Patrizia Corsetto é jornalista, radialista e

psicanalista e assina a coluna de

cultura semanalmente

 

 

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