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sábado, 18 de maio de 2024

VIDA BILÍNGUE – Europeus 7 x Brasileiros 1

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Em 2017 fui convidada para participar de um evento em Malta chamado FELTOM – The Federation of English Language Teaching Organisations Malta. Foram cinco dias muito proveitosos, nos quais rodei o país visitando escolas que oferecem cursos de inglês para intercambistas de todos os lugares do mundo e de todas as faixas etárias.

Para quem não sabe, Malta é um país (bem pequeno) que fica entre o sul da Itália e o norte do continente africano. Lá fala-se o maltês e o inglês como segunda língua, pois em 1814 o país tornou-se parte do Império Britânico. Sua independência só aconteceu em 1964.

Malta oferece uma enorme quantidade de escolas que eles chamam de “boutique schools”. É o tipo de escola que passa longe do sistema de franquias, geralmente fundada por uma organização familiar, mas que, ao longo do tempo, torna-se referência local. Existem as maiores e as menores, mas em geral são exclusivas (há algumas exceções) e locais. Dentre elas, a gente encontra escolas focadas em adolescentes, adultos, cursos temáticos que ensinam inglês a partir de cultura e história, e por aí vai. São muitas as opções.

As escolas são, em sua franca maioria, frequentadas por estudantes europeus. Alemães, italianos, franceses, mas também vamos encontrar lá outras nacionalidades, como brasileira, asiática e alunos do Oriente Médio.

Para os alunos europeus, fazer intercâmbio é uma tarefa relativamente simples, que não exige malabarismos financeiros. A moeda corrente é a mesma para os países, o euro, as passagens aéreas na União Europeia são mais baratas por serem aquelas low cost, ou seja, baixo custo, e os países são muito próximos.

Visitei um summer camp – acampamento de verão, onde havia dezenas de adolescentes na faixa dos 13 aos 15 anos. O programa oferecia 3 meses de curso com alojamento, e estava lotadão.

E por que estou contando isso pra vocês? Porque, via de regra, na Europa existem algumas facilidades que colaboram para que a população, em especial das faixas etárias mais jovens, tornem-se bilíngues, trilíngues e até multilíngues. Se compararmos esta realidade com a brasileira, logo entendemos a diferença de estarmos menos avançados no bilinguismo por aqui.

Na Europa as distâncias são curtas, o transporte é facilitado pelas ferrovias, e os cidadãos se preparam para atuar profissionalmente não só em seus países de origem, mas em outros países europeus. A União Europeia, inclusive, incentiva seus cidadãos a se capacitarem em diferentes línguas para que possam servir de mão de obra por toda a região.

Não raro a gente encontra europeus que falam a língua nativa e outras três ou quatro. Porque moravam na fronteira e aprenderam com seus vizinhos, porque viveram em outros países com línguas diferentes, porque participaram de intercâmbios ao longo da vida.

Comparativamente com o Brasil, a Europa leva diversas vantagens nessa intercambialidade. O Brasil é um país com um território imenso, faz fronteira com países que falam basicamente o espanhol (com exceção das Guianas) e, ainda assim, não é bilíngue na língua espanhola.

E o que ganhamos ou perdemos com isso? Bem, não dá pra ficar lamentando o fato de termos uma geografia completamente diversa da europeia. Mas perdemos em distância e no financeiro. É caro para o brasileiro médio encarar um intercâmbio, pelo menos na proporção que um cidadão europeu usufrui disso é.

E como driblar as dificuldades que enfrentamos para seguir esse ritmo e nos tornarmos bilíngues (ou até multilíngues)? Usando as armas que temos. A primeira dica é: não perca tempo. Se quer fazer um idioma, faça! Enrolar só vai prejudicar o seu desenvolvimento. Online ou presencial, deixe a preguiça de lado e corre lá! Se um dia você decidir que quer ir morar na Europa, ou estudar, já vai ter se preparado de alguma forma. Porque lá a concorrência é grande, e você vai ter que concorrer com multilíngues. Esse será o 7 x 1 da vida, minha gente!

 

 

Denise Domingues é jornalista, graduada em História

e atua como English teacher desde 2005.

Está no mercado como profissional independente desde 2011.

@teacher_domingues_denise

 

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