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sábado, 24 de fevereiro de 2024

VIDA BILÍNGUE – Francamente, Renato!

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Prepare-se você, que está lendo esta coluna de hoje. Desta vez não trarei dicas, vou mesmo é aproveitar este espaço para fazer um desabafo.

Lá na década de 80, a década de ouro das bandas de rock nacionais, o Renato Russo e sua legião me impressionavam profundamente. Eu sempre amei tudo o que faziam. Mas recentemente, ouvindo uma estrofe do Renato, eu me deparei com uma pisada de bola feia do gênio. E sabe por quê? Presta atenção:

 

Eduardo e Mônica eram nada parecidos

Ela era de leão e ele tinha dezesseis

Ela fazia medicina e falava alemão

E ele ainda nas aulinhas de inglês

 

Meu povo! Me responda: você já fez uma aulinha de física? Uma aulinha de português? Sei lá, uma aulinha de cálculo ou uma aulinha de direito constitucional? Creio que não, certo? E por que de inglês tem que ser “aulinha”?

Esse é um dissabor que insiste em perseguir a existência do professor de inglês. Aliás, são dois dissabores: ouvir a palavra “aulinha” e ter que responder àquela pergunta clássica “Vocêtrabalhaousódáaula?” (assim mesmo, tudo junto!)

Misericórdia, Senhor! Não sabem o que dizem!

Pois se há dúvidas sobre se nós, professores de inglês, damos aula ou aulinha, e se trabalhamos em algum momento na vida, eu vou descrever um pouco da minha rotina, que levo há 18 anos encarando o ofício pelo qual sou apaixonada.

 

Preparado, meu povo? Então senta que lá vem desabafo.

Em primeiro lugar, sim. Nós, professores de inglês, trabalhamos bastante. Mesmo quando “só” damos aula. Para muita gente não ocorre que, para dar uma aula de inglês, o professor tem que preparar essa aula. Igual a qualquer outra.

A aula em si, com o aluno presente, é apenas uma parte do nosso percentual de trabalho. Antes da aula vem a preparação, a gente tem que adequar a nossa linguagem à faixa etária à qual estamos nos dirigindo, temos que calibrar como vamos conversar em inglês com aquele aluno – se ele é básico o professor tem que usar inglês básico, se o aluno é avançado o professor precisa fluir bem mais na comunicação.

Em aulas como as que eu dou, geralmente individuais ou pequenos grupos, o foco da aula não é simplesmente seguir um roteiro de temas. O tempo todo o professor precisa racionalizar o quanto o aluno ou alunos estão em progresso naquele caminho. Havendo problemas, dificuldades ou muitas dúvidas, o professor precisa alterar a didática, mesclar metodologias. E isso não se faz só falando inglês, porque falar muitos podem falar. Ao professor caberá aplicar inúmeras técnicas para fazer com que o aluno alcance o objetivo desejado. Até corrigir o aluno pode ser uma boa ou não, a depender do momento da aula. E isso requer preparo, o professor tem que saber como fazer e em que momento fazer essa correção.

Dizem que professor não tem fim de semana. E, via de regra, isso é verídico. É no sábado à noite, no domingo à tarde (não sempre, mas muitas vezes) que a gente se senta mais tranquilo para roteirizar as aulas da semana. Enquanto você maratona sua série, a gente maratona a preparação das aulas.

Pra terminar – mas não finalizar o tema, pois eu poderia ficar aqui discorrendo sobre isso muito mais – tem a questão da alfabetização em um outro idioma. Cara! That’s not easy at all! Mas é muito bom fazer o passo a passo e levar o aluno à fluência no tempo certo, claro!

Infelizmente Renato não poderá ler minha coluna. Mas você, que a lê, agora sabe que não é “aulinha” de inglês, e sim aula de inglês, como todas as outras.

Continuo adorando a legião do Renato. Mas volto a dizer: “Francamente, Renato!”

Imagem:freepik

 

Denise Domingues é jornalista, graduada em História

e atua como English teacher desde 2005.

Está no mercado como profissional independente desde 2011.

@teacher_domingues_denise

 

 

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