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sexta-feira, 14 de junho de 2024

The Town – Em entrevista exclusiva, a cantora Annalu conta o que vai rolar no palco São Paulo Square

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A diversidade da música estará plenamente representada no The Town. Um exemplo é o palco São Paulo Square cujo foco será o jazz, blues e big bands. A proposta é mostrar que o jazz não é um estilo musical elitizado e esse palco vem para democratizá-lo.

No The Town os artistas do palco São Paulo Square vão mostrar como os ritmos estão presentes e interferem diretamente na vida dos cantores que não são do jazz e blues, mostrando como estes estilos vêm complementando e/ou somando-se a outros ritmos, possibilitando derivações e verticais desses gêneros tão cultuados no mundo todo.

Para saber mais sobre esse palco o Portal Meia92 conversou com uma das cantoras convidadas para esse desafio, a jovem, mas com uma longa trajetória na música, Annalu, que vai estar no palco que homenageia Nina Simone e Etta James.

“Eu não sou uma cantora de jazz. Mas os meus 23 anos de carreira, cantando de tudo um pouco, me trouxeram bagagem e versatilidade. Cantar no Baretto, bar do Hotel Fasano, aqui em São Paulo, onde o repertório é jazz e bossa nova foi uma grande escola. Conheço as divas do jazz, tenho muitas referências das grandes cantoras americanas, principalmente as que lutaram pelo direito das mulheres. Acho que tenho muito essa posição. Sou uma mulher independente que luto muito pelo que é meu. O mercado da música ainda é muito machista. É comum quando temos uma musicista, ouvir: “ela toca igual a um homem”. Não! Ela toca igual a uma mulher.  Nascer mulher é um desafio e vivemos quebrando barreiras diariamente”.

Portal Meia92 – Como foi escolher essas duas divas para interpretar?

Annalu – O palco vai fazer uma homenagem a tudo que tem a ver com jazz. Da Bossa Nova, movimento de música popular brasileira que surgiu no final dos anos 50, caracterizado por forte influência do samba carioca e do jazz, a Milton Nascimento. Na própria coletiva de apresentação desse palco, fizemos uma pequena mostra de como será.  Eu fui convidada para o dia em que Nina Simone e Etta James serão reverenciadas. Como somos várias artistas nesse palco, cada dia trará atrações diferentes, em reunião com o Zé Ricardo, curador artístico do festival, foi perguntado qual a relação que cada uma tinha com essas artistas. Musicalmente falando, conheço e gosto muito da Nina Simone, pianista, compositora, que foi do gospel ao soul, passando pelo blues, R&B e pop. Ela passeou por vários estilos. Uma grande mulher, que apesar de ter sofrido muito, abriu espaço para outras mulheres. Vou ter a honra de cantar com a São Paulo Big Band, um requinte que a gente foi perdendo ao longo do tempo. Resgatar essa história da música e dividir palco com a São Paulo Big Band, com vários amigos que tocam, vai ser muito especial. Cantando essas duas divas então, não sei nem o que dizer. São Paulo tem muito essa influência, a gente ainda tem muitas casas de jazz, de música instrumental, que graças à Deus estão abertas. Estar nesse palco, na minha cidade e cantando as minhas influências será incrível!

 

Portal Meia92 – Para quem ainda não te conhece, quem é AnnaLu?

Annalu – Sou filha de cantora e de pai produtor musical.  Minha mãe, Vera Lúcia, foi a primeira mulher a ganhar um concurso de calouros e recentemente completou 50 anos de carreira, sempre vivendo de música. Comecei  muito cedo e sempre ouvindo clássicos. Cantava com minha mãe nas festas de aniversário dela e com 16 anos comecei a cantar com uma banda. Ganhava R$ 75,00 que era metade do cachê, na época, já que estava começando…rs. Ouvia muito minha mãe, Vera Lucia, a Gina Garcia, mãe da Gloria Groove. Hoje é difícil ver cantoras como elas, que você  dá o tom e  elas saem cantando.  Sou dessa escola. Trabalhei bastante no baile e com 18 anos fui para o FAMA.

Portal Meia92 – Como foi estar em um programa na Rede Globo?

Annalu – Fui gravar um jingle, e acabou surgindo a oportunidade de me inscrever no FAMA. Ao mesmo tempo está passando pela seletiva para participar do grupo Rouge. Eram 8.000 meninas. Quando chegamos em 300 fui eliminada. Estava no estacionamento quando recebi um telefonema me chamando para o FAMA. Foi maravilhoso. Um pouco assustador também. Eu tinha só 18 anos, um pouco tímida, mas foi uma escola extremamente importante para eu estar no nível que estou hoje. O FAMA foi um verdadeiro laboratório, tínhamos aulas de absolutamente tudo, postura cênica, como olhar para uma câmera, composição, e eu estava lá com cantoras e cantores incríveis e de muito potencial.

Portal Meia92 – Você também foi para fora do país. Como foi essa experiência?

Annalu – Fiz uma temporada na Tailândia cantando só música brasileira. Meu repertório de Bossa Nova ampliou muito. Também estive na Califórnia, onde pude além de cantar, aprimorar o meu inglês. De volta ao Brasil, outras grandes oportunidades foram surgindo, de convites para cantar em várias casas, até a formação da minha própria banda e abertura da minha empresa (onde trabalho com eventos corporativos), participação em festivais como o TIM Music, Mulheres Positivas, Vibra Open Air, Rock in Rio e outros. Eu sou uma pessoa que agarra todo tipo de oportunidade que vai surgindo.

Portal Meia92 – Mas para quem não sabe, você esteve no Rock in Rio também. Como foi essa história?

Annalu – Em 2019,  tive a oportunidade de mandar um vídeo para apresentar uma jam session que aconteceria madrugada adentro no festival Rock in Rio. Era o palco Sunset, em uma ação da Heineken,  que acontecia depois que todas as apresentações terminavam. Ainda me lembro da fala do Zé Ricardo.  “Tem 100 mil pessoas aqui, mas 60 mil vão embora enquanto você estiver falando. Não é pessoal, mas você tá pronta pra isso?”. Respondi na hora: “cara, já nasci pronta!”. O frio na barriga estava lá, mas sou dessas. Encaro e vou! E foi muito legal, uma experiência única e indescritível! Olhar aquela multidão em cima daquele palco grandioso, é inenarrável. Eu nunca tinha apresentado. É óbvio que durante um show, você sempre está apresentando, entretendo as pessoas, interagindo com a plateia, mas o tamanho daquele palco, vendo as pessoas pequenininhas, é viver e realizar um sonho. Ainda lembro da primeira vez em que fui ao Rock in Rio. Fui ver o Steve Wonder. Fiquei encantada com a estrutura, com o funcionamento desse grande festival. Uma experiência que vai além de assistir a grandes nomes da música, o Rock in Rio é muito mais que isso. Então estar naquele palco, mesmo que não fosse fazendo o meu show ainda, foi uma grande conquista. A princípio, estava lá só para apresentar, mas daí o Zé Ricardo foi vendo que eu tinha jeito para a coisa e no primeiro dia me chamou pra cantar com ele. No segundo dia faltou um artista, e na reunião geral antes de começar, a pergunta: “quem canta essa música?”. Ninguém levantava a mão, eu esperei e falei, eu canto! Você sabe o tom, pergunta o Zé Ricardo. Respondi: sei. Precisa ensaiar? E eu: não. Porque minha vida sempre foi assim, eu estou muito acostumada. Cantora da noite tem essa expertise. Foi maravilhoso, eu cantava uma música da Rita Lee, todo dia, que era a música do patrocinador. Entrava cantando e depois apresentava. Nesse período acabei apresentando outro festival e meio que ganhei uma nova profissão.

 

Lançamento do palco São Paulo Square

A coletiva de imprensa realizada no Rio de Janeiro, no dia 13 de abril último, já mostrou o que podemos esperar do palco São Paulo Square, que Annalu vai inaugurar no dia 3 de setembro, dividindo a cena com a cantora kynnie, ao som da São Paulo Big Band. Mesmo dia e palco no qual se apresentará a incrível Esperanza Spalding, uma das headliners.

Com o conceito “Tudo é Jazz” e uma cenografia inspirada na arquitetura histórica de São Paulo, que trará uma deslumbrante catedral, que remete à Praça da Sé, passarão por esse palco nomes como Paula Lima, Alma Thomas, Vanessa Moreno, Ana Cañas, Jesuton, Luciana Mello, dentre outras, e a mistura de ritmos como jazz e blues e a diversidade dos artistas que nele irão se apresentar.

É importante lembrar que Annalu foi criada em meio ao repertório das orquestras e bandas de baile de São Paulo, o que fez dela uma cantora eclética, com um repertório rico da melhor MPB e clássicos do jazz. “Cresci ouvindo Frank Sinatra e muitas das minhas influências me foram apresentadas em casa pela minha mãe, a cantora Vera Lucia. Cantar na noite paulistana, em um piano-bar como o Baretto, onde o repertório é o jazz, sem dúvidas, foi uma grande escola. Apesar da grande responsabilidade e frio na barriga que dá em estar nesse palco (a ficha ainda não caiu!) dividindo esse momento com tantas cantoras e cantores que admiro, sinto um enorme orgulho e uma alegria imensa. A música tem me levado sempre a lugares inimagináveis. Sou grata a ela e a tudo que a arte tem me proporcionado. Quando olho esse LINE UP e revisito o meu percurso, vem a certeza de que o caminho continua o certo. A música me faz ser a minha melhor versão, me faz voar alto, me leva a lugares que eu sonho e outros que eu nem sabia que existiam. A música promove encontros incríveis e me traz novas oportunidades todos os dias”.

Pergunto à Annalu sobre a importância de Nina Simone e Etta James para a cena musical. “Olha…são duas mulheres incríveis, fortes, donas de vozes únicas, que influenciaram uma geração de cantoras e que fizeram da sua arte uma força transformadora. Mulheres que despontaram na cena e em um mercado ainda muito dominado por homens. Se hoje estamos aqui é porque essas cantoras abriram esse espaço importante. E é essa história que queremos contar e cantar no palco São Paulo Square”.

Então, é isso Annalu! Nos vemos em setembro, no The Town!

 

Entre um festival e outro o novo trabalho: streaming traz cinco faixas inéditas e versão de um clássico

 

Foto – Pablo Grotto

O EP “O que eu quiser ser” apresenta ao público a Annalu compositora. Das seis faixas que compõem o novo trabalho, a cantora assina duas, em parceria com outros compositores: “Certo ou Errado” e “Inevitável”.

Falando sobre o novo trabalho, a cantora diz: “as minhas músicas são histórias da minha vida”. Eu não fiz outra coisa na minha vida a não ser música. Vivo, respiro música desde que eu nasci”.

Produzido pelo experiente e competente Zé Ricardo, responsável pela curadoria dos festivais Rock in Rio e The Town, é dele também a autoria das faixas “O que eu quiser ser”, que dá título ao EP e que foi composta especialmente para Annalu, além de “Tua paz”.

E o que dizer da versão de um clássico do indie rock “Sex of fire”, o hit mais escutado da banda Kings of Leon, que soma mais de 665 milhões de streams no Spotify, e que ganha nessa releitura trap na voz de Annalu uma versão mais sensual, melódica e pop, mas sem perder a potência da original.

Três faixas do EP já estão disponíveis nos principais tocadores de música e duas contam com visualizers no Youtube, formato muito usado para lançar singles e que vem dominando a cena pop.

O EP foi gravado no Rio de Janeiro, no estúdio Cantinho, de Zé, (que se reveza nas guitarras e violões), e um time de músicos de primeira: Maurício Piassarollo (teclado e programações), Marcelo Linhares (baixo), Maurício Negão (guitarras) e Wallace Santos (bateria).

O que o público vai encontrar nesse EP? O melhor do pop nacional, na voz inconfundível mezzo soprano de Annalu com contornos jazzy.

E se a voz é a marca registrada da cantora Annalu, a compositora também está em busca de sua assinatura, uma vez que a composição é a matéria-prima do artista. E como Annalu não para, a cantora está participando de um camping de composição, pelo selo Moringa Fresca, que nada mais é do que um processo criativo de composição em grupo. Certamente, logo mais, teremos novidades por aí.

Foto – Pablo Grotto

Siga Annalu nas redes sociais: annalureal

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