fbpx

Meia 92

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2024

Residências Terapêuticas geram qualidade de vida para pacientes com transtornos mentais

baixs

Esse tipo de moradia pode ser confundida com hospitais psiquiátricos e até mesmo abandono de familiares, psiquiatra esclarece todas as dúvidas

Você já ouviu falar em Residência Terapêutica? Trata-se de um lar para pacientes com doenças mentais crônicas que, por conta de suas condições, não podem viver sozinhas. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental no mundo, como depressão, ansiedade, transtorno bipolar, esquizofrenia, entre outros, variando de intensidade e gravidade.

 “Existem pessoas que precisam de cuidados regulares e permanentes, mas nunca dentro de um hospital, local em que o cuidado não pode ser prolongado, permanente. A Residência Terapêutica é uma instituição que tenta individualizar o tratamento e suprir a necessidade de famílias que, muitas vezes, não têm tempo nem condição de cuidar desses pacientes”, comenta o Dr. Ariel Lipman, médico psiquiatra e diretor da SIG Residência Terapêutica.

 Nesses lares, o paciente vive com muita qualidade, sendo acompanhado por médicos e enfermeiros, liberdade para sair caso o quadro da doença permita, além de comodidades do dia a dia. No entanto, as residências terapêuticas ainda geram muitas dúvidas e é até desconhecida por muitos e até certo tipo de preconceito e é por isso que o psiquiatra cita alguns mitos e verdades. Confira:

Residência Terapêutica x Hospital Psiquiátrico

 É muito importante esclarecer que Residência Terapêutica não é a mesma coisa que hospital psiquiátrico. “Hospitais psiquiátricos são locais em que as pessoas com transtornos mentais ficam internadas depois de algum episódio de crise, podendo ser internação voluntário ou não”, explica o Dr. Lipman. “Já nos casos das residências, é uma opção de moradia para as pessoas, depois dessas internações, que não dão conta da própria vida e seus familiares não podem dar esse cuidado devido ao trabalho, por exemplo”, completa.

Vale frisar também que a pessoa na Residência Terapêutica não está internada, lá é o local em que ela mora e pode sair para passear, trabalhar, ir ao cinema, exercitar-se, ou seja, levar uma vida normal.

 Essas moradias são uma forma de ressocializar os pacientes psiquiátricos, oriundos de internações de longa permanência, ou seja, o conceito de Residência Terapêutica é ressocializar pacientes psiquiátricos que permaneceram por muito tempo em hospitais psiquiátricos e agora precisam voltar à realidade.

 “A moradia configura-se como uma moradia assistida, definida assim pelo Ministério da Saúde, com oferta de cuidados diários em saúde mental nas questões de ressocialização relacionadas ao morar”, comenta o especialista.

 RT é cuidado, não abandono

O pensamento de moradores de Residências Terapêuticas tenham sido abandonados por familiares e amigos pode ser comum em um primeiro momento, mas não é verdadeiro, muito pelo contrário. “Procurar um lar para uma pessoa com um transtorno mental grave é uma forma de cuidar e garantir a segurança desse paciente, já que nas residências eles recebem cuidados que os familiares podem não dar conta de ter”, explica o psiquiatra.

Assim como alguns filhos procuram asilos para seus pais por falta de tempo ou estrutura para os cuidados necessários, os familiares podem encontrar nas moradias a segurança de saber que seus parentes estão sendo assistidos por profissionais.

Transtornos mentais graves

 

Existem diversos tipos de transtornos mentais: depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar, demência e dependência química, entre muitos outros. Alguns deles são mais graves do que os outros e podem aparecer em níveis diferentes em cada indivíduo.

“Alguns transtornos psiquiátricos são controlados apenas com terapia, outras com medicações. Muitas doenças, quando tratadas de maneira correta, não tiram a autonomia de uma pessoa em morar sozinha, o que significa que não existe a necessidade de procurar uma RT. Por isso, cada caso é avaliado individualmente”, explica ele.

 Vida normal

 Essa pode ser uma grande dúvida, mas a resposta é que sim, esses residentes levam uma vida normal ou muito próxima da normalidade. Como estão sendo tratadas e com a doença controlada, podem trabalhar, sair, ir ao mercado, praticar esportes e fazer tudo que uma pessoa que não tem nenhum transtorno mental faz.

Conteúdo Relacionado