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sábado, 2 de março de 2024

A Páscoa e os Cães, uma combinação que pode ser perigosa

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Quem tem um cãozinho sabe que é muito difícil resistir aos olhares que eles lançam com maestria quando querem comer algo que o tutor está comendo. Reis do apelo emocional, quase sempre o olhar é garantia de ganhar um pedaço do alimento que não foi exatamente feito para ele. Este comportamento, embora muito comum, pode desencadear intoxicações alimentares além de alguns problemas de saúde mais sérios nos cães.

“Em festividades como a Páscoa, o risco de intoxicação aumenta. O chocolate, a estrela da festa, aparece em abundância pelas casas e nas mãos de crianças, que facilmente oferecem um pedaço ao pet. Além disso, o preparo dos pratos típicos com algumas especiarias, podem oferecer um grande perigo aos animais de estimação”, declara Nathalia Fleming, médica-veterinária gerente de produtos pet da Ceva Saúde Animal.

Muitas pessoas acreditam que estas recomendações estejam associadas ao teor calórico ou a quantidade de sódio, açúcares e gorduras presentes nos chocolates e nos principais pratos da época, como o bacalhau com batatas, mas são componentes dos próprios alimentos que podem desencadear os problemas.

“O problema do chocolate é uma substância derivada do cacau chamada Teobromina, que é extremamente tóxica para os cães e os gatos, com efeito estimulante que pode afetar o coração e o cérebro destes animais. Por ter digestibilidade lenta e capacidade de permanecer até 6 dias na corrente sanguínea do pet, mesmo que o animal consuma poucas quantidades de chocolate é possível que ele desenvolva um quadro de intoxicação”, Nathalia explica.

Os sintomas mais comuns de intoxicação por chocolate incluem náusea, vômitos em jato, diarreia, arritmias cardíacas, excitação, tremores musculares, aumento dos batimentos cardíacos e até mesmo convulsões.  Já o problema do consumo de alguns temperos, especialmente o alho e a cebola que podem ser utilizados no preparo dos pratos como o bacalhau, são silenciosos, porém muito sérios.

“A cebola e o alho contêm em sua composição o Tiossulfato, uma substância que atua diretamente nas hemácias dos animais, as células responsáveis pelo transporte de oxigênio pelo organismo. Essa substância promove uma destruição gradual das hemácias de forma mais rápida do que o organismo consegue repor, desencadeando um quadro de anemia hemolítica, com reflexos no fígado, baço e rins. É um processo crônico e que pode demorar para ser descoberto”, alerta a médica-veterinária.

A atenção também deve ir para outros alimentos presentes na mesa, como a batata, que cruas ou malcozidas podem desencadear a intoxicação por solinina, e com a ingestão dos peixes (principalmente bacalhau) com espinhas, que podem causar engasgos, arranhões e perfurações no sistema digestório do animal.

“Nem sempre é possível evitar que o pet acabe ingerindo alguns destes alimentos, seja por ter caído ao chão ou por ter sido ofertado por alguém desavisado, por isso é importante estar atento a qualquer sinal ou sintoma de podem iniciar entre 2 e 4 horas após a ingestão do alimento. Se o animal foi flagrado comendo algo indevido, assim que o primeiro sintoma aparecer o tutor deve buscar auxílio veterinário e levar a embalagem do chocolate, ou saber descrever precisamente o que tinha no preparo do alimento ingerido”, reforça Nathalia.

A profissional traz uma dica para os tutores dos pets que imploram por comida de humanos: “Para aqueles pets que não podem ver ninguém com nada na mão que já ficam interessados e pedindo, o ideal é ter sempre um snack por perto, e neste momento é legal ser criativo: pode ser um pedaço de fruta, cenoura ou mesmo os petiscos aos quais o pet já está acostumado. Se quiser que ele participe da comemoração com chocolates, existem os “chocolates” feito especialmente para cachorros, com ingredientes específicos os quais eles podem comer tranquilamente”.

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