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terça-feira, 25 de junho de 2024

Reciclar lixo eletrônico pode gerar 40 mil empregos e R$ 800 milhões ao ano no Brasil

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Cálculos feitos a partir de dados do Movimento Circular e da GM&C apontam que a reciclagem é um negócio rentável se feita corretamente

A reciclagem do lixo eletrônico produzido no Brasil pode gerar 40 mil empregos diretos e no mínimo R$ 800 milhões ao ano, segundo informações obtidas a partir de dados do Movimento Circular e da empresa GM&C, que atua no setor. O Brasil é o quinto país maior produtor de lixo eletrônico no mundo e produz 2 milhões de toneladas desse material por ano, conforme o mais recente relatório, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2019 (https://ewastemonitor.info/). De acordo com o levantamento, apenas 3% desse resíduo é reciclado.

 

Entre os maiores produtores de lixo eletrônico no mundo, o Brasil apenas é superado pela China, Estados Unidos, Índia e Japão. O coordenador do Movimento Circular, Edson Grandisoli, explica que “o foco da reciclagem é dar um novo destino e utilização de materiais que, tradicionalmente, ganham os aterros e lixões, fazendo com que permaneçam mais tempo em circulação, um dos preceitos da economia circular”, aponta.

 

O coordenador de relações institucionais da GM&C, Henrique Mendes, diz que atualmente não há um número oficial sobre o total de eletroeletrônicos que são reciclados anualmente no Brasil, mas as estimativas mostram que apenas 3% dos eletrônicos descartados estariam sendo, de fato, reciclados de modo oficial e rastreável. Segundo ele, não existem cifras exatas do retorno financeiro da reciclagem de lixo eletrônico no Brasil.

 

Mas Mendes sinaliza com números que apontam esse impacto. Apenas a GM&C reciclou 6 mil toneladas de eletroeletrônicos no ano passado, operação que gerou ao menos 140 empregos diretos e outros 380 indiretos. Levando em conta que o Brasil produz 2 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, a reciclagem e reutilização de todo esse material poderia gerar 42 mil empregos diretos  e outros 110 mil empregos indiretos. “É possível estimar o ganho social que o segmento pode proporcionar ao País, tornando-se um importante setor da economia”, afirma o coordenador.

 

Grandisoli lembra que 3% da reciclagem de lixo eletrônico no Brasil equivale a 60.000.000  de quilos. De acordo com diferentes fontes, cada quilo desse material reciclado gera de R$ 0,40 a R$ 4,00, dependendo do resíduo. “Sendo assim, a reciclagem gera hoje no Brasil em torno de R$ 24 a R$ 240 milhões. Se todo o lixo fosse reciclado, poderíamos chegar a uma cifra de, no mínimo, R$ 800 milhões até R$ 8 bilhões”, calcula.

 

Além do ganho social e econômico, a reciclagem correta de eletroeletrônicos reduz impactos negativos ao meio ambiente, pois entre os resíduos eletrônicos estão materiais como plástico, ferro, vidro e metais. “Ao recuperar esses recursos na reciclagem, evitamos a necessidade de extrair matéria prima virgem da natureza”, comenta Mendes.

 

Outro impacto positivo da atividade está relacionado ao aumento da vida útil dos aterros. Quando esse material deixa de ser enviado para os lixões para serem aterrados, os municípios reduzem os gastos com esse serviço e os aterros têm a vida útil ampliada. “Com essas estimativas, podemos avaliar a magnitude dos ganhos que poderão ser gerados quando deixarmos de desperdiçar todos esses recursos e incentivarmos a cadeia da reciclagem formal dos eletroeletrônicos”, afirma Mendes.

 

Os eletrônicos são equipamentos que possuem centenas de diferentes substâncias em sua composição, algumas delas com potencial periculosidade, podendo causar danos à saúde e ao meio ambiente caso sejam manuseadas de forma incorreta. Por isso a reciclagem de eletrônicos no Brasil precisa ser pautada na transparência e rastreabilidade dos processos.

 

Ouro do lixo

 

Segundo Mendes, muito se falou nos últimos anos sobre os materiais valiosos presentes nas placas de circuito eletrônico, o que despertou grande interesse nas pessoas, criando uma febre de empresas de reciclagem de eletroeletrônicos em busca de ganhos fáceis e resultados rápidos com o “ouro do lixo”, o que não se comprova na prática.

 

“A reciclagem de eletroeletrônicos é uma atividade complexa e que envolve custos para que seja feita da forma ambientalmente correta e com segurança aos funcionários que manuseiam os equipamentos”, explica.

 

O coordenador da GM&C defende que a atividade da manufatura reversa de eletroeletrônicos precisa ser oficialmente reconhecida com a criação de um código de Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) específico, para que as empresas possam ter um processo de licenciamento ambiental adequado para a atividade, garantindo a segurança ambiental e a saúde das pessoas.

 

“Com a formalização das empresas do setor, será mais fácil identificar quem realmente atua da forma correta, permitindo ainda parcerias em busca de incentivos para viabilizar o crescimento da atividade”, comenta Mendes. Ele diz que, para prosperar, o segmento da reciclagem de eletroeletrônicos precisa ser uma atividade transparente e rastreável. “É um ponto crucial para evitar o surgimento de empresas que despejam de forma ilegal os resíduos que geram custos ou vendem partes e peças sem autorização do fabricante”, alega.

 

A legislação determina que a responsabilidade ambiental das empresas de reciclagem de material eletrônico não termina ao contratar uma gerenciadora de resíduos, caso haja algum dano ambiental, ambas responderão juntas. Isso também vale para eletrônicos que possuem armazenamento de dados. “As empresas precisam garantir a destruição de dados, evitando qualquer vazamento de informações sensíveis”, diz Mendes.

 

Soluções eficientes

 

O consumidor de eletroeletrônicos é um importante ator no processo de reciclagem desse material. Além de fazer o descarte correto dos produtos em desuso, ele deve ficar atento às suas necessidades reais e às propostas das fabricantes. “O consumidor é parte fundamental desse processo, pesquisando antes de comprar e privilegiando empresas com preocupações socioambientais legítimas”, diz o coordenador do Movimento Circular, Edson Grandisoli.

 

Valorizar produtos mais duráveis, buscar marcas que prestam bons serviços de reparo e repensar o consumo são passos fundamentais para construir a economia circular e um mundo melhor, defende Grandisoli.

 

Segundo o coordenador do Movimento Circular, para além da questão do design dos produtos, as empresas devem criar soluções eficientes de logística reversa para aumentar a quantidade de lixo eletrônico coletada de forma adequada e para que esse material tenha um destino mais nobre através do reaproveitamento e da reciclagem.

 

O coordenador da GM&C alega que a empresa tem registrado um crescimento constante da preocupação da indústria de eletroeletrônicos com o tema da Economia Circular. “Temos diversos clientes que já possuem projetos nessa área, auxiliando os consumidores a utilizarem melhor seus produtos, para que durem mais, além de investirem na logística reversa, permitindo que ao final da vida útil dos produtos, eles sejam devolvidos em locais adequados para serem coletados e enviados para a reciclagem”, alega.

 

A empresa também auxilia clientes a desenhar projetos que permitam o uso de matéria prima reciclada, inserindo a questão da circularidade desde a etapa de criação dos produtos.

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