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sábado, 2 de março de 2024

Covid-19 agravou a pandemia contínua da obesidade no mundo e no Brasil

obesidade

Estudo da Federação Mundial da Obesidade revela que até 2030 quase 30% da população brasileira será formada por obesos. Especialista explica que para tratar doença não há dieta milagrosa, mas sim orientação médica e reeducação de hábitos

A obesidade, que já era um problema mundial de saúde, se agravou após a pandemia da Covid-19 e por aqui no Brasil não tem sido diferente. Pesquisa do Atlas Mundial da Obesidade em 2022, divulgada pela Federação Mundial da Obesidade, aponta que até 2030 nosso país terá quase 30% (29,7%) de sua população adulta com obesidade. Deste total, 33,2% serão mulheres e 25,8% serão homens. Os dados mais atuais sobre o tema no Brasil são do relatório Vigilância De Fatores De Risco E Proteção Para Doenças Crônicas Por Inquérito Telefônico (Vigitel) 2021, realizado pelo Ministério da Saúde, constatou que a população de brasileiros com sobrepeso é de 57,25%, e os obesos chegam a 22,35%.

O Dia Mundial da Obesidade, no próximo 4 de março, é a data de alerta para essa que é uma pandemia contínua e igualmente grave. A médica endocrinologista Pryscilla Moreira Hajj (CRM 18112/RQE 11762), especialista que atende no Órion Complex em Goiânia, explica que o problema é uma doença crônica e multifatorial caracterizada pelo acúmulo de gordura e por um desequilíbrio energético que ocorre no organismo. Essa doença tem se tornado cada vez mais prevalente no mundo e também no Brasil, principalmente devido aos maus hábitos alimentares e ao sedentarismo. A especialista destaca que a pandemia da Covid-19 teve um papel preponderante no agravamento desses quadros de sobrepeso e obesidade, uma vez que aumentou o sedentarismo e a compulsão alimentar, muitas vezes provocados pela ansiedade e a depressão.

Massa corporal

Mas quando considerar uma pessoa obesa? Pela definição da Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa é considerada obesa quando seu Índice de Massa Corporal (IMC) é maior ou igual a 30 kg/m2. Os indivíduos que possuem IMC entre 25 e 29,9 kg/m2 são diagnosticados com sobrepeso e já podem ter alguns prejuízos com o excesso de gordura.

A endocrinologista Pryscilla Hajj explica que há diversos tipos de obesidade, associadas a alterações gênicas e a doenças sindrômicas que são mais raras. A mais comum, que vemos quando o paciente está acima do peso, chamamos de poligênica. Esse quadro se desenvolve a partir de maus hábitos de vida como má alimentação, falta de atividade física, dificuldades e alteração do sono e até a baixa hidratação corporal.

“O não tratamento desse sobrepeso, além da própria obesidade, pode resultar em outras doenças como diabetes, hipertensão, alteração do colesterol e do triglicérides, artrose, além do aumento do risco cardiovascular. Portanto, é importante discutirmos sobre o assunto e reconhecer a obesidade como uma doença, que precisa ser diagnosticada e tratada”, destaca a médica.

Tabus e dietas

Pryscilla Hajj diz que a obesidade traz consigo um tabu muito comum, reproduzido até mesmo por alguns profissionais de saúde, que associa o ganho de peso e até a dificuldade de perdê-lo à falta de proatividade do paciente, que muitas vezes é taxado de “relaxado”, o que segundo a especialista não é totalmente verdade. “Uma boa parte das pessoas com sobrepeso ou obesidade tem uma genética propensa ao ganho energético. E elas precisam entender que têm uma doença crônica, que deve ser tratada com acompanhamento médico contínuo e em alguns casos com uso de remédio para evitar o agravamento”, esclarece a especialista.

A endocrinologista revela que felizmente há hoje várias alternativas de tratamento, tanto para o sobrepeso quanto para a obesidade, que trazem muita efetividade. Porém, a médica lembra que mesmo com as modernas terapias disponíveis hoje, não existem milagres em relação à perda de peso, que sempre irá ocorrer se o tratamento for aliado a hábitos saudáveis. “É maçante bater nessa mesma tecla, mas os estudos comprovam que hábitos de vida saudáveis previnem a obesidade e o sobrepeso. A prática regular de atividade física também entra neste combo”, esclarece Pryscilla.

A endocrinologista também chama a atenção para as chamadas dietas da moda, que podem dar resultados para alguns, mas ser prejudicial a outros. “Quando se faz uma dieta específica e muito restritiva, corre-se o risco desse paciente não conseguir mantê-la por muito tempo e até mesmo provocar efeito contrário, que é a compulsão alimentar”, exemplifica.

Como manter a medida?

Mas depois da luta para perder o excesso de peso, como permanecer com a medida ideal? Digamos que aí há outro grande desafio que reforça as orientações já dadas pela médica Pryscilla Hajj, de que a obesidade e o sobrepeso são doenças que requerem, além de um tratamento contínuo envolvendo consultas médicas e uso de medicamentos, uma profunda reeducação de hábitos alimentares e mudança de estilo de vida.

Nessa luta de manter o peso, após a perda do excesso, a especialista dá outras dicas importantes. “Num processo de emagrecimento saudável é imprescindível que a pessoa não perca massa muscular e sim ganhe. Em alguns casos, para a manutenção desse peso perdido é necessário o uso contínuo de medicamento, mas isso deve ser avaliado por um médico endocrinologista para verificar a necessidade ou não desse uso de medicamento”, completa. Ou seja, é preciso equilíbrio e um trabalho constante em prol de uma vida saudável.

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