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sexta-feira, 14 de junho de 2024

Seu cão ou gato engoliu um objeto estranho? Descubra o que fazer

Crédito Canva

Os pets costumam ser bastante curiosos e, geralmente, este traço de personalidade não oferece riscos ao animal. Eventualmente, contudo, ele pode se deparar com um objeto perigoso e, diante de tamanha curiosidade, ingeri-lo.

Estamos falando de corpos estranhos e pontiagudos; produtos de limpeza; substâncias venenosas, como raticidas; ou mesmo algumas plantas tóxicas aos pets. Se o seu animal engoliu algum destes itens, não se desespere: existem protocolos veterinários para lidar com a situação da melhor forma e orientações que podem ajudar tanto o animal, quanto o tutor neste momento, principalmente sobre o que não se deve fazer.

“A melhor recomendação é ir ao serviço veterinário, pois medicamentos paliativos que visam conforto, como Luftal, Vonau ou Buscopan podem ‘mascarar’ a situação e atrasar a busca pelo veterinário. Então o tutor que conhece o comportamento de seu animal e está suspeitando que ele ingeriu um objeto estranho, deve se acalmar e buscar o pronto atendimento para diagnosticar a situação”, orienta Felipe Romano, médico veterinário especialista em gastroenterologia.

Para facilitar o trabalho do médico, o tutor também pode procurar pela casa e verificar se encontra pedaços do objeto ingerido ou se percebe a falta de algum item. É o que sugere Edwin Luiz, médico veterinário pós-graduado em clínica e cirurgia de pequenos animais:

“Se o animal estiver apresentando vômitos, o tutor pode tentar perceber se há algo em meio a eles que possa ser um corpo estranho. Essas informações são excelentes para se ganhar tempo e obter um diagnóstico preciso.”

Sinais de que o animal engoliu algo estranho

Segundo os médicos veterinários, algumas manifestações podem indicar que o bicho comeu algum objeto indevido.

“Os sinais clínicos mais comuns em pacientes que ingeriram corpos estranhos são vômitos, náuseas, diminuição ou perda do apetite e desconforto abdominal”, lista Edwin, que também tem experiência em emergência e terapia intensiva de pequenos animais.

Também pode haver constipação e ofegação. “Mas isso é muito variável. Não é específico”, diz Felipe.

Flagrei meu animal ingerindo um corpo estranho, devo intervir?

Essa é uma pergunta que pode ter diversas respostas, que variam muito conforme o tipo de objeto que o animal está tentando engolir, o temperamento do pet em relação ao seu tutor e a distância que ele se encontra do bicho no momento da ingestão do corpo estranho.

“Caso o tutor veja seu animal ingerindo algum corpo estranho, recomendo, sim, procurar um atendimento veterinário para uma avaliação, por mais que o seu pet ainda não esteja apresentando sinais clínicos gastrointestinais. Pois, quanto mais rápido agir, melhores são as opções terapêuticas e, consequentemente, melhor o seu prognóstico”, diz Edwin.

Já Felipe esclarece não haver primeiros socorros, mas atenta para uma orientação: “pedimos que não ofereçam alimento ao animal, que tentem mantê-lo sem estresse e que jamais usem laxantes para ‘provocar’ a eliminação no objeto estranho pelas fezes”.

Segundo o especialista, nem cães, nem gatos devem receber intervenções domésticas, já que mesmo na melhor das intenções, a prática pode ser perigosa. A tentativa de intervir sem a presença de um profissional qualificado pode, inclusive, agravar o quadro do bicho.

“Por exemplo, não se deve oferecer produtos ou medicamentos para tentar forçar vômito, puxar pontas de objetos (principalmente tecidos ou linhas) que estejam na boca ou ânus, dar comida no intuito de ajudar o objeto a descer nas fezes ou dar remédios sem a prescrição médica”, afirma Edwin.

Os objetos pontiagudos talvez sejam os corpos estranhos mais perigosos de serem ingeridos devido ao risco de perfuração de órgãos. Por isso, o mais prudente a se fazer nessas situações é manter a calma, tanto do tutor, quanto do animal, sem deixar que ele se agite, corra ou mesmo se alimente. E, claro, procurar ajuda médica o mais rápido possível.

“Em caso de objetos tóxicos ou venenosos, a conduta é mais ou menos a mesma, porém não se deve esquecer de levar consigo a embalagem do veneno ingerido, ou ao menos o nome correto da sua substância química, para que se possa ser feito um tratamento de suporte mais direcionado possível”, diz Edwin.

Na clínica veterinária

Para que o médico veterinário possa oferecer a melhor conduta terapêutica, é importante que se tenha um histórico rico de informações e bem detalhado. “Com isso, alguns protocolos terapêuticos podem ser adotados, tais como uso de antieméticos, analgésicos e fluidoterapia”, elenca Edwin.

No caso da ingestão de corpos estranhos, o suporte terapêutico inicial é apenas uma ajuda para manter o organismo em equilíbrio.

Atrelado a isso, é necessário realizar exames ditos complementares, principalmente os de imagem, através dos quais se consegue obter confirmação da ingestão de um corpo estranho e sua localização no animal.

“Com essas informações, o médico-veterinário poderá escolher a melhor conduta para resolver o problema”, explica Edwin.

Fernando acrescenta que o tratamento pode envolver o uso de suplementos antioxidantes, e explica que a remoção do objeto, quando necessária, é feita a partir de endoscopia ou cirurgia.

Endoscopia ou cirurgia: qual é a melhor opção?

Antigamente, o paciente que ingerisse um corpo estranho que não tivesse condições de ser expelido sozinho (seja por vômito ou fezes) precisaria passar por uma intervenção cirúrgica. Hoje, porém, a endoscopia pode ser uma importante ferramenta para auxiliar nesta remoção.

“A principal vantagem sobre a cirurgia talvez seja não haver necessidade de abrir a barriga do animal. E, tendo sucesso no procedimento, o paciente vai embora para casa poucas horas após o término da endoscopia, sem necessidade de passar por cuidados pós-operatórios ou pós-procedimento endoscópico”, diz Edwin.

Outras vantagens incluem o baixo a nulo risco de dor; menores riscos de infecções secundárias; ausência de restrições alimentares pós-procedimento; e a possibilidade de visualização em tempo real do órgão onde se encontrava o corpo estranho, ajudando a identificar lesões secundárias ao objeto — como úlceras, por exemplo.

“Já a desvantagem é que nem todo corpo estranho pode ser removido através da endoscopia, e também não é em qualquer órgão que podemos intervir dessa forma. Por isso, é sempre importante conversar com seu médico-veterinário para tirar suas dúvidas”, sugere Edwin.

A cirurgia, por sua vez, tem como vantagem o fato de ser um procedimento que independe do tipo de objeto e sua localização, e as chances de sucesso cirúrgico costumam ser bem altas.

“Já as desvantagens são a necessidade de recuperação pós-cirúrgica em ambiente hospitalar, dor, risco de infecção secundária e restrição alimentar pós-cirúrgica”, complementa Edwin.

Geralmente, a endoscopia é o procedimento eleito, embora esta escolha dependa do tamanho do animal e do estranho e local onde ele está alojado.

Fonte: Folha de S. Paulo

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