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sexta-feira, 1 de março de 2024

Depredações terroristas em Brasília: confira todos os seus desdobramentos

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Na tarde de ontem (8), a cidade de Brasília vivenciou um domingo conturbado. Na ocasião, centenas de vândalos invadiram as sedes oficiais do Congresso Nacional, Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal (STF).

A ação – realizada por ativistas bolsonaristas – foi motivada, sobretudo, por uma tentativa de derrubar o governo do atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e clamar a intervenção das forças armadas.

Os manifestantes, advindos de diversos pontos do país, se reuniram em Brasília com o apoio do transporte das caravanas – as quais foram programadas pela internet ao longo da semana. Recursos como passagem e alimentação foram subsidiados por fontes que, até o momento, ainda são desconhecidas.

Pelas imagens transmitidas na cobertura do G1, foi possível acompanhar a ação selvagem destes radicais. A Praça dos Três Poderes teve as suas vidraças depredadas, as estruturas desmontadas e as cadeiras deslocadas.

Falta de medidas rígidas pela PMDF possibilitou um alcance ainda mais drástico destes ataques

Muitos líderes políticos criticaram a postura pacífica da Polícia Militar do Distrito Federal diante a estes ataques. Em alguns registros é possível ver alguns  policiais sorrindo e filmando as depredações cometidas pelos terroristas. Outro vídeo também registra as viaturas da PMDF escoltando os radicais até a Esplanada. Posteriormente, os vândalos seguiram sozinhos para invadir e deteriorar a estrutura dos prédios públicos dos três poderes.

“Lamentavelmente, quem tem que fazer a segurança do Distrito Federal é a Polícia Federal do Distrito Federal – a qual o não fez. Houve, eu diria, incompetência, má vontade ou má fé das pessoas que cuidam da segurança pública do distrito federal. Não é a 1ª vez. Vocês vão ver nas imagens que eles estão guiando as pessoas na caminhada até a Praça dos Três Poderes”, pronunciou o presidente Lula em uma coletiva de imprensa na prefeitura da cidade de Araraquara, no interior de São Paulo, onde fazia uma visita para prestar apoio aos moradores que foram vítimas das fortes enchentes no local.

Contrariado com a postura da polícia local, o presidente Lula assinou um decreto que permite a intervenção da Polícia Federal na segurança do DF para conter, de forma eficiente e rigorosa, a proliferação dos ataques destes radicais.

Mais cedo, a AGU – Advocacia Geral da União – solicitou ao STF um mandado de prisão a Anderson Torres, Secretário de Segurança do DF, juntamente com todos os manifestantes envolvidos.

Torres acabou sendo exonerado do seu cargo após os atentados. O ex-secretário se encontra na Flórida, nos EUA, junto com a sua família e o ex-presidente da República Jair Bolsonaro.

Anderson Torres chegou a emitir um pronunciamento oficial nas suas redes sociais: “Esses atos são totalmente incompatíveis com todas as minhas crenças do que seja importante para o fortalecimento da política no país”.

“Lamento profundamente que sejam levantadas hipóteses absurdas de qualquer tipo de conivência minha com as barbáries que assistimos. Estou certo que esse execrável episódio será totalmente esclarecido e seus responsáveis exemplarmente punidos”, afirmou o ex-secretário da justiça do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Danos e prejuízos materiais

Além da grande destruição, os vândalos danificaram, com 5 facadas, o quadro de Di Cavalcanti – “As Mulatas”. A pintura se encontrava no salão nobre do Palácio do Planalto e possuía valor estimado de 8 milhões de reais.

O relógio de pêndulo raro – Balthazar Martinot -, que possui um valor fora do padrão, também entrou na lista dos itens danificados pelos terroristas. A peça foi um presente da Corte Francesa para a Família Real Portuguesa, no século XIX.

Confira a lista completa dos bens-materiais danificados na página do governo Federal: https://bit.ly/3CAgJTz

“O valor do que foi destruído é incalculável por conta da história que representa. O conjunto do acervo é a representação de todos os presidentes que representaram o povo brasileiro durante este longo período que começa com JK. É este o seu valor histórico”, comenta Rogério Carvalho, diretor de Curadoria dos Palácios Presidenciais.

O Ministério da Gestão emitiu uma nota na tarde de ontem para dizer que a organização está levantando os prejuízos financeiros destes ataques. Espera-se que o  desfalque econômico seja ressarcido pelos responsáveis pela ação criminosa.

Repercussão na mídia internacional

A medida bárbara e criminosa realizada por bolsonaristas radicais na tarde de ontem repercutiu rapidamente nas manchetes dos principais veículos de imprensa estrangeiros.

“Por trás do que aconteceu [em Brasília] está, em última análise, não apenas a incapacidade de Bolsonaro de aceitar a derrota, mas o veneno de uma estridente extrema-direita que, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil e em outros países, não é capaz de aceitar as regras do jogo democrático e procura por todos os meios, incluindo a força bruta, tomar o poder”, publicou o Jornal El País em seu editorial.

O jornal americano The New York Times disse que este ato foi o resultado de “incessantes ataques retóricos aos sistemas eleitorais do país por parte de Bolsonaro”.

O veículo Washington Post também se posicionou sobre o acontecimento: “Nas semanas que antecederam os violentos ataques de domingo ao Congresso do Brasil e outros prédios do governo, os canais de mídia social do país estavam cheios de apelos para que se atacasse postos de gasolina, refinarias e outras infraestruturas, bem como para que as pessoas viessem a uma ‘festa do grito de guerra’ na capital, de acordo com pesquisadores brasileiros de mídia social.”

Foto: Bloomberg Línea

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