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sábado, 24 de fevereiro de 2024

Entenda a “Doença do Sono”, ilustrada na série Sandman

Crédito Metro Word

A série Sandman – que estreou em agosto de 2022 – conquistou a atenção do público e, em menos de um mês de exibição, a trama já estava em primeiro lugar nas audiências da Netflix.

Ao longo da produção da série, uma condição de doença conhecida como “doença do sono” foi mencionada e isso gerou uma “pulga atrás da orelha” dos telespectadores: afinal, essa enfermidade existe mesmo na vida real ou é apenas uma mera ficção?

A resposta, para a sua surpresa, é que a doença do sono realmente existiu. Durante o ano de 1910, essa condição, conhecida cientificamente como encefalite letárgica, foi responsável por causar cerca de um milhão de mortes e por tirar a capacidade das pessoas de falarem ou de se movimentarem de maneira autônoma.

O sintoma mais comum – e também o mais visível – da encefalite letárgica era a sonolência exagerada, que deixava a pessoa catatônica, como se fosse uma estátua viva. Imagine você, incapaz de ter o controle do seu corpo para mantê-lo em pé e de formular frases de maneira coerente. Era dessa maneira que a doença se manifestava no organismo dos infectados. Esse fenômeno foi (e ainda é) um verdadeiro mistério para os pesquisadores. Até os dias de hoje, ainda não se sabe ao certo o que pode ter desencadeado essa encefalite e pouco se sabe como tratá-la.

O que se sabia sobre a doença era que ela afetava o sistema nervoso. Os seus sintomas iniciais se assemelhavam a outras enfermidades (como febres baixas, enjoos e dores de cabeça) e iam evoluindo para quadros mais agudos, como o sono incontrolável e a incapacidade dessas pessoas em abrir os olhos.

Relatos apontam que os infectados ficavam neste estado por meses – e até por anos – e que alguns deles, por sofrerem uma rigidez muscular, entravam em estado de coma. Contudo, uma vez que as pessoas eram acometidas por essa letargia, elas ainda tinham consciência e podiam ser acordadas desse transe sonolento e responder brevemente alguns comandos.

Os estudos ao entorno da doença

Em 1917, dois médicos publicaram simultaneamente os primeiros relatos dessa doença. O primeiro foi feito em Paris pelo médico patologista e pediatra Jean René Cruchet. O francês descreveu e registrou 64 casos de soldados que estavam na guerra e que começaram a apresentar sintomas variados, alguns sentiam febre e outros tinham dores de cabeça e se queixavam de uma náusea.

No geral, os pacientes apresentaram um sintoma em comum: começaram a alegar um sono profundo e a perder os movimentos e as coordenações do corpo. O segundo relato dessa doença foi feito na Áustria pelo neurologista Constantin von Economo.

O médico encontrou essa doença presente em mais de uma dúzia dos seus pacientes, dos quais não tinham antecedentes de complicações mentais ou traumas físicos. Ele registrou que alguns apresentavam comportamentos como começar a revirar os olhos e apresentar alguns “tiques” involuntários. Contudo, o sintoma comum de todos era a sonolência profunda.

Segundo os pesquisadores Hoffman e Vilensky, em um artigo publicado para a revista “Brain”, a origem dessa encefalite ainda é um mistério. “Após 100 anos de pesquisa, a etiologia (causa) da encefalite letárgica ainda é desconhecida.

Embora várias teorias tenham sido propostas, existem duas categorias principais de etiologias plausíveis: ambientais (toxicológicas) e infecciosas (virais, bacterianas, etc.).

Mais recentemente, no entanto, há evidências para apoiar uma terceira teoria: autoimunidade. Para os pesquisadores, essa doença possui diversas hipóteses que explicam a sua origem e que justificam o grande leque de prognósticos que foram feitos ao longo dos anos.

 

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